<span class="bn">Atlantida: a invenção da <br>comunidade luso-brasileira</span><span class="as">Lucia M. Paschoal Guimarães, <br>Luís Andrade & Zília O. de Castro</span>

Código: 9788577401574
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TÍTULO:

Atlantida: a invenção da
comunidade luso-brasileira

RESUMO:

Autor(Lucia Maria Paschoal Guimarães
Luís Andrade
Zília Osório de Castro)
Inclui Antologia de Textos e Imagens, Documentos
e Relação dos Colaboradores de Atlantida
ISBN 978-85-7740-157-4
2013, 1ª edição, 192 p., 16 x 23 cm


DESCRIÇÃO:

O escritor carioca Paulo Barreto – o popular João do Rio – juntou­-se ao poeta, político e pedagogo português João de Barros, para criar uma revista literária denominada Atlantida. Mensáriovartístico, literário e social para Portugal e Brazil. Retomaram o mito platônico para designar um empreendimento que se pretendia binacional. Desta feita, a metáfora do continente desaparecido e supostamente (re)encontrado servia de mote a um projeto editorial, voltado para estreitar os laços entre as duas nações irmãs. Projeto, diga-se de passagem, que envolveu intelectuais, políticos e homens de negócio das duas margens do Mar-Oceano.

O livro que o leitor tem em mãos aborda justamente o percurso cumprido por essa publicação, que circulou com regularidade entre 1915 e 1920. Seus autores procuram jogar luz sobre aspectos pouco explorados pela historiografia, enfatizando o engajamento da Atlantida em outras questões que extrapolam os domínios da literatura. Sim, porque, para além de poesias, contos, peças de teatro, ou manifestações culturais e artísticas, a revista debruçou-se sobre temas contemporâneos de interesse geral, a exemplo do envolvimento de Portugal e do Brasil na Primeira Grande Guerra. Levantou, também, problemas econômicos e geopolíticos, que afetavam as relações entre os dois países e abraçou causas polêmicas, como a proposta de se estabelecer uma "Confederação Luso-­Brasileira".

Até sair de circulação, em abril de 1920, a Atlantida publicou contribuições assinadas pela nata da intelectualidade que se movimentava no eixo Lisboa-Rio de Janeiro. Testemunhos de uma época, as ideias veiculadas pelo mensário são agora revisitadas. Se, por um lado, tais concepções conquistaram muito mais adeptos nos meios letrados do que no âmbito político-institucional, por outro, despertaram memoráveis polêmicas, tanto no Brasil como em Portugal. Até porque o desaparecimento do periódico não implicou no fim do projeto defendido pelos seus idealizadores. É certo que João do Rio faleceu subitamente um ano depois da extinção da revista. Mas João de Barros e a rede de intelectuais que se formara em torno da publicação binacional sobreviveram-na, continuaram a disseminar suas propostas, influenciando novas gerações. Neste sentido, não há dúvida de que a noção de comunidade luso-brasileira foi inventada pela Atlantida.

 

Lucia Maria Paschoal Guimarães

Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professora titular de Teoria da História e Historiografia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e sócia titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Pesquisadora 1B do CNPq e Cientista do Nosso Estado/Faperj. Autora dos livros Debaixo da imediata proteção imperial: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (2011) e Da Escola Palatina ao Silogeu (2007).

 

Luís Andrade

Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desde 1995, tem-se dedicado ao estudo do pensamento e da cultura contemporâneos numa perspectiva que articula os saberes filosóficos e históricos com os estudos literários e artísticos.  Sua investigação mais recente aborda o estudo dos movimentos intelectuais portugueses do século XX, nomeadamente as revistas que os definiram e estruturaram. Nesse âmbito, dirige o sítio Revistas de Ideias e Cultura (www.ric.slhi.pt).

 

Zília Osório de Castro

Professora catedrática (jubilada) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Fundadora do Seminário Livre de História das Ideias. Autora de extensa obra sobre pensamento político dos séculos XVIII e XIX, sua investigação tem-se dirigido igualmente para os estudos sobre as mulheres. Fundadora e diretora da revista Faces de Eva.

 

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